Boa tarde leitoreeeeesss!! Espero que a semana se vocês tenha sido maravilhosa, e o fim de semana seja muuuuito gostoso também.
Primeiramente quero agradecer os emails que recebi sobre o post "Orquídeas de Saquarema", e ganhei mais três novos leitores :-))) Agradeço em especial a minha leitora fiel e amiga, Tatiana, que me mandou um e-mail muito lindo e me deu ainda mais ânimo quando escreveu para mim "Os sonhos valem o que custam". Pois é, ela sabe que sou um "bebê" aqui nos Estados Unidos, que estou há pouco tempo aqui, e que largar tudo o que eu tinha n Brasil foi o custo de tentar realizar um sonho. Praticamente acabei de chegar nos Estados Unidos. No primeiro ano voltei a cantar na igreja, tive muita paz e amigos maravilhosos. Fazia parte da Blue Bossa Band em Sausalito, CA e resolvi mudar para L.A. devido a escola que quero estudar. No segundo ano em solo americano passei por muitas dificuldades e decepções.
Mudar para um país estrangeiro é uma mudança bastante radical, e muitas vezes mudamos completamente o que costumávamos ser. Posso dizer que me tornei uma pessoa mais fria. Também deixei de confiar nas pessoas, principalmente nas host families americanas. Mas tudo foi válido, foi aprendizado, e nem tudo ruim. A cultura aqui é diferente, Los Angeles é repleta de esquisitos, e americanos, em geral, tratam tudo como "business" (negócios). Ao mesmo tempo que ganhei poucos amigos que fazem parte da mnha vida, percebi de outros que há muita troca de interesse, e não a verdadeira amizade. Brasileiros estão no mesmo barco. Estrangeiros estão no mesmo barco. Todos em busca de seus sonhos, ou de conhecer o "Sonho Americano", ou de ter uma qualidade de vida melhor por meio de um emprego que proporcione mais conhecimento e/ou dinheiro. Há exceções, aqueles que querem somente zuar, curtir, fazer putaria, e se esquecem que tem muitas vezes 40-50 anos de idade nas costas. São os babacas americanizados que voltam ao Brasil dizendo que os Estados Unidos são um paraíso, ou metem o pau porque foram pêgos pela polícia fazendo alguma idiotice. O sofrimento por estar longe da família é o mesmo, uns demonstram mais, outros menos. Muitos estão aqui há muito tempo e começando a realizar seus sonhos, outros chegaram faz pouco tempo e ainda estão buscando caminhos para realizá-los.
Numa jornada cujo objetivo é semelhante, o que precisamos manter em mente é a realização desses sonhos sem passar por cima de ninguém. E se fomos passados para trás algum dia, que nossos passos não fiquem presos no passado para que a gente possa sempre prolongar nosso caminho. Há muitas formas de nos prendermos somente à dura realidade, que já é a de viver no exterior. Eu me prendi muito a coisas que me afetaram durante o ano passado, e neste ano elas são quebradas. É exatamente o que mencionei anteriormente: a frieza. Se me tornei mais fria e calculista, é porque passei por coisas que me brecaram, e pessoas que me surpreenderam. Mas não poderei mais viver nisso, para que meu objetivo se cumpra aqui. Vou dar um exemplo do que aconteceu. Um deles foi com uma garota que se dizia minha amiga. Nós éramos "amigas" havia mais de um ano, passeamos por Los Angeles na época em que eu ainda morava em San Francisco, viajamos a New York City juntas, a Las Vegas, etc. Ela me extorquiu. Inventou que minhas amigas e eu devíamos no hotel uma conta de US$150,00 e eu não quis prejudicá-la. Tomei as dores e paguei tudo para depois acertarmos entre todas. Resultado: não devíamos nenhum centavo no hotel e dei US$150,00 nas mãos de uma bandida. Ingenuidade. Aprendi. Minha decepção foi com essa pessoa. O mundo não é um conto de fadas. A mesma decepção aconteceu com meu host father, com a agência de au-pair que a gente confia no Brazil, com uma outra vagabunda que se dizia minha amiga e dormiu com o cara que ela sabia que eu amava, etc. Bati a cabeça mais do que nunca na minha vida e aprendi. Aprendi que perdi muito por falar demais, e que há pessoas que foram criadas com valores diferentes dos meus. Aprendi que falei demais sobre muitas coisas, e me dei mal por isso, pois há pessoas ruins no mundo sim. No Brasil eu tinha uma idéia de coisas muitos ruins, por causa dos crimes, da violência, da corrupção. Mas há uma distância fenomenal entre ter uma idéia de algo, e passar por isso. Não passei por violência, mas passei por pessoas que gostam de violentar o psicológico das pessoas. Também sei que me deixei abalar demais sem necessidade. Levantei.
Mas eu estava pensando aqui comigo... no Brasil eu tinha uma vida acadêmica, e trabalhava numa multinacional. Os meus amigos eu conheci por meio da minha família (valores humanos), do meu serviço, do coral (que nada mais é que cultura), da igreja (valores religiosos), da faculdade (valores intelectuais). Em geral, as pessoas que cruzaram meu caminho tinham os mesmos ideais, a mesma visão de valores, de Deus, de família. Não havia conhecido ninguém ruim, mal-caráter, ou perverso. Sempre foram pessoas "selecionadas" já pelo ambiente que eu convivia. A probabilidade de me decepcionar com pessoas era muito menor, devido a realidade que eu vivia. De repente eu venho para um lugar onde todas as pessoas se nivelam ao mesmo patamar, independente da educação e ambiente familiar dos quais vieram. Todos são tratadados como mão-de-obra estrangeira pelo país e se agrupam conforme a nacionalidade. Muitos sabem que não vão ficar no país e não se importam nem um pouco com as pessoas que nunca mais vão ver na vida, achando que podem fazer o que bem entender. Algumas pessoas veem as coisas erradas e se orgulham de estar no meio delas. Drogas correm entre adolescentes em intercambio que não têm os pais por perto, e adultos se portam como adolescentes. Prostituição não é prostituição aqui, vira um troféu o qual é dado pelo numero de estrangeiros e/ou brasileiros que foram "comidos"/ou "comeram" a pessoa. A realidade é diferente da que eu conhecia, e as chances de se decepcionar com muitas coisas aumentam. Tudo é bem diferente, você sai de casa e começa a lutar na selva.
Não sou puritana, não sou santa, mas e importante relembrar das minhas raízes sempre. Ter guardado comigo os valores que meus pais me ensinaram, as amizades boas que deixei no Brasil, não e afastar de Deus mais ainda, e seguir em frente. Eu não sou nenhuma Madre Teresa de Calcutá, estou longe disso, mas sei que estou longe de ser uma pessoa ruim, e não quero ficar perto de coisas que não valem nada, e das coisas que não me agregam valor. Penso no que Deus pode gostar em mim, e não vou mudar isso porque foi Ele que me fez. Penso no que Ele quer de mim, e não quero ver o que eu quero para mim. Eu não vim para os Estados Unidos a toa, Ele permitiu que eu viesse e mudasse tudo. 2008 em muitas coisas me dá vergonha de mim mesma. Algumas coisas especiais aconteceram também, e descobri muitas coisas sobre mim mesma, mas em geral foi um ano "à-toa" em Los Angeles, me dedicando a sofrimentos sem necessidade, coisas sem valores humanos, e fiquei um ano parada, sem me exercitar, sem lutar, e escutando que "fulano/a é melhor que você", "porque fulano/a canta melhor que voce", "fulana é mais bonito que voce", "fulana nao faz isso comigo", "fulana eh assim e vc é assado". Mudar para um país estrangeiro muitas vezes faz com que esqueçamos do que realmente somos e aceitamos mais facilmente as mentiras como verdades. Escutamos pessoas que não nos conhecem e tomamos aquilo como verdade. Ferimos nosso próprio respeito. Esquecemos dos nossos verdadeiros valores, e nos agarramos a coisas sem sentido, que não valem a pena.
Esse ano é diferente, eu analisei todas as situações, vejo as coisas que perdi e as coisas que ganhei. Eu vou quebrar a frieza que nunca tive e volto a ser o que eu sempre fui, mas menos frágil desta vez. Independente do que algumas pessoas sem índole e frias me causaram, eu sei que vou conhecer muitas pessoas de bem. As que me causaram bem (mesmo as vezes em meio a erros) em 2008 vão continuar no meu coração, e não preciso citar nomes, porque essas pessoas sabem e conseguem sentir o amor que tenho por elas.
O que mais importa agora é que eu tenho em mãos, e ainda acreditar que posso confiar nas pessoas. Tenho em mãos a minha demo, gravada em estúdio. Dois empregos, glorias a Deus. Algo que teve que acontecer agora. Contatos. Mais objetivos. Vou me prender mais a mim do que aos outros. Leitores, é importante que amemos o que somos e mudemos ou excluamos aquilo que nos diminui. Eu amo o que eu sou, o que eu penso, e tudo o que Deus me deu. O que me diminuiu em 2008 eu já mudo e excluo neste ano, é presente, e não futuro. Façam o mesmo. Mas nunca confundam a realidade do que é com a realidade foi passada a voces. Discernimento.
O "bebê" que chegou nos Estados Unidos está crescendo. A faca e o queijo na mão. Início todos tem, uns mais cedo, outros mais tarde. Sejam bons, não importa o que dizem. Sejam bons para voces mesmos, bons para as pessoas, bons para Deus. Pode ter certeza que se voces se acham bons, há pessoas muito mais do que voces.
Estava lendo sobre a vida de Madre Teresa de Calcutá. Se voces se acham bons, olhem para a vida desta mulher.
Madre Teresa de Calcutá foi considerada a missionária do século XX. Só de ser missionária já é de se admirar. Conheci muitos missionários em aqui e em outros países, e vi de perto a dificuldade. Precisa de muito mais fé do que essa pequena que eu tenho. Madre Teresa de Calcutá teve uma congregação chamada "Missionárias da Caridade", ajudava o mais pobre dos pobres. Tornou-se enfermeira ara cuidar de graça de doentes na Índia, tornou-se professora para alfabetizar crianças pobres. Mais tarde se dedicou a centros de apoio a leprosos, velhos, cegos e doentes com HIV surgiram em várias cidades do mundo, bem como escolas, orfanatos e trabalhos de reabilitação com presidiários. Da Índia partiu para o mundo inteiro com suas missões de caridade. Em 1979 foi reconhecida com o Nobel da Paz.
Quando me analiso, sei que não sou boa o suficiente, e estou longe de ser uma pessoa boa com Deus queria que eu fosse. Mas Deus fez cada pessoa com uma missão, e é aprendendo a ser o bem, que um dia eu vou me encontrar com Deus. Dos maus guardems a misericórdia, porque Deus já nos disse que não vão morar com Ele nunca, nem aqui, nem em nenhum outro lugar.
Deixo aqui leitores, um dia maravilhoso, um fim de semana mágico, e a frase sábia de Madre Teresa de Calcutá:
“Não usemos bombas nem armas para conquistar o mundo. Usemos o amor e a compaixão. A paz começa com um sorriso”.
É com meu sorriso que demonstro meu amor :-)
Malu xxx
