Oi leitores! Espero que estejam tendo um fim de semana maravilhoso :-)
Hoje deixo para vocês um texto incrível de Xico Sá a respeito da saudade de uma bela comilança. HAHAHA Ao ler algumas de suas crônicas, me deparei com De Como Reabrir o Apetite das Moças, e percebi que sou perfeito retrato de uma mulher normal. Normal? Tudo bem... todo ser humano tem lá as suas loucuras, mas estou falando no que se refere à comida. Isso mesmo. O escritor e jornalista brasileiro, que iniciou sua carreira no Recife (PE), conta em uma das suas crônicas a falta que ele sente de ver uma mulher degustando um belo prato de comida. Eu comecei a dar risada e pensei... ele deveria ter se casado comigo, não tenho esse problema.
Hoje em dia as mulheres não compram produtos no mercado sem contar calorias. Eu já fiz muito disso, mas amo comer e fui vencida pela matemática da dieta. A verdade é que nós mulheres acabamos sempre insatisfeitas dos kilos a mais. Não é o meu caso. Fico insatisfeita só quando estou MUITOS kilos a mais, então tomo uma atitude e emagreço 20 kilos.
Entendi muito o lado de Xico Sá. Já saí com amigas que dão a volta ao mundo para sentar à mesa de um restaurante vegetariano. "Lá só tem salada, não tem perigo de engordar". E ficava sem graça ao colocar o molho Ranch na minha alface... "esse é o que tem mais calorias" dizia uma delas enquanto comia devagar uma tira de aspargo SEM sal.
Radicalismo feminino. Sofrimento masculino.
Por outro lado, homens se dedicaram a essa exaltação do corpo escultural feminino, que deve ser perfeito, composto de dois componentes: pele e osso. Se contentam em abraçar uma vassoura e não sabem o quanto é bom fazer amor com alguém gostoso de apertar hehe.
Estou de dieta, mas como toda boa comedora de chocolate, ontem devorei um brownie. Para disfarçar o meu desejo pelo pedaço do bolinho, coloco a culpa na minha amiga, que o fez especialmente para me agradar. "Eu não poderia fazer essa desfeita", e enchi a boca me deliciando com a sobremesa.
A dieta da segunda-feira... história de rechonchudos. Xico Sá tem mesmo razão. Mas um novo prazer tenho descoberto... o de controlar minha própria vontade de comer. Isso também é muito bom. Mas de uma coisa estou certa... estou LONGE de ser uma das neuróticas magricelas que sobrevivem por meio da Fotossíntese.
De Como Reabrir o Apetite das Moças, por Xico Sá.
Época chata essa. As mulheres não comem mais, ou, no mínimo, dão um trabalho desgraçado para engolir, na nossa companhia, alguma folhinha pálida de alface.
A gente não sabe mais o que vem a ser o prazer de observar a amada degustando, quase de forma desesperada, uma massa, um cuscuz marroquino/nordestino, um cabrito, um ossobuco, um bife à milanesa, um torresmo decente.
Foi embora aquela felicidade demonstrada por Clark Gable no Filme Os Desajustados, quando ele observa, morto de feliz, Marilyn Monroe devorando um prato. E elogia a atitude da moça.
Toda preocupação feminina está voltada para a estatística das calorias, as quatro operações da magreza absoluta. É como se todas fossem posar para a The Face do dia para a noite. Mal sabem que isso não tem, para homem que é homem, quase nenhuma importância.
François Truffaut, o cineasta, padrinho sentimental deste cronista, já alertava em depoimentos registrados em suas biografias, o valor insuperável das mulheres normais e o seu belo mundo de imperfeições. Além do prazer de vê-las comendo, pesquisas recentes mostram que as mulheres com taxas baixíssimas de colesterol costumam ser mais nervosas, dão mais trabalho em casa ou na rua. Nada mais oportuno para convencê-las a voltar a comer, reiniciá-las nesse crime perfeito.
Em Catecismo de Devoções, Intimidades e Pornografias, Editora do Bispo.
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